Sono à tarde tem explicação biológica
Aquela sensação de cansaço e sonolência que costuma aparecer no meio da tarde não é provocada apenas pelo almoço. Conhecido como “queda de energia da tarde”, o fenômeno está relacionado principalmente ao funcionamento natural do organismo. Ao longo do dia, a adenosina se acumula no cérebro e aumenta gradualmente a chamada pressão do sono. Paralelamente, o relógio circadiano regula os períodos de maior vigília e sonolência, criando no início da tarde uma janela natural em que o corpo fica mais propenso ao descanso.
A alimentação pode intensificar essa sensação, especialmente após refeições maiores, já que comer provoca alterações na comunicação entre intestino, metabolismo e cérebro. Estudos relacionam refeições mais volumosas à redução da atenção e ao aumento da sonolência, mas ainda não há evidências suficientes para responsabilizar especificamente carboidratos, gorduras ou açúcares. Pesquisas também indicam que a sonolência após comer pode envolver mudanças na atividade cerebral diferentes daquelas provocadas pela privação de sono, apesar de ambas produzirem efeitos semelhantes, como raciocínio mais lento, cansaço e dificuldade de concentração.
Para enfrentar a queda de disposição, especialistas apontam que a exposição à luz natural pode ajudar a aumentar o estado de alerta. Cochilos curtos, de aproximadamente 10 a 20 minutos no início da tarde, também podem reduzir a sonolência sem provocar o forte torpor associado ao sono mais profundo. Já o consumo de cafeína no fim do dia exige cautela, pois apesar de melhorar temporariamente o estado de alerta, pode prejudicar o sono noturno e aumentar o cansaço no dia seguinte. A queda de rendimento à tarde, portanto, não deve ser interpretada simplesmente como preguiça: atenção, disposição e capacidade de reação variam naturalmente ao longo do dia.
Com informações: Folha de São Paulo





