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Serranópolis: aumento do ITR causa revolta entre produtores

A recente notícia de que o Imposto Territorial Rural (ITR) instituido pelo município de Serranópolis trouxe, em sua pauta de valores deste ano, aumentos que vão entre 17,5 a 50%, pegou de surpresa o produtor rural, e vem causando certa revolta nesse segmento.

Segundo um produtor ouvido pela nossa reportagem, a categoria, diretamente atingida pelo novo decreto, não foi levada em consideração pela atual administração do município, ao promover reajustes que, eles consideram, ocorrem de forma impositiva e abusiva.

Existe entre eles a percepção de que a recente medida evidencia que o poder público do município acabou virando as costas para as graves dificuldades sofridas pelo setor, especialmente nos últimos três anos. Dentre elas, citam a criação e a elevação de impostos federais, juros altos, créditos escassos, perdas de produção por problemas com o clima, falências e recuperações judiciais crescentes, além de dificuldades com mão-de-obra, dentre outras.

Observação: a arrecadação oriunda do ITR é revertida integralmente aos cofres da Prefeitura, sendo que os novos reajustes vão impactar diretamente também no aumento do ITBI e do ITCMD.

“MEDIDA AMARGA”
Juntam-se a isso tudo, segundo disseram, a queda nos valores das terras, a baixa procura por compradores, e o consequente desaquecimento do setor. “Para ajudar, vem agora essa medida amarga da Prefeitura”, lamentam.

Para se ter uma noção da voracidade da administração municipal em arrecadar em cima do setor rural, basta lembrar que, em 2019, o valor da lavoura aptidão boa, em Serranópolis, estava entre R$ 9 e 10 mil reais. Já agora em 2026, apenas sete anos depois, esse mesmo índice saltou para algo em torno de R$ 27.400,00 – ou seja, um aumento quase três vezes a maior, nesse curto espaço de tempo.

“ACIMA DA REALIDADE”
Produtores do município queixam-se que os novos reajustes do ITR estão acima da realidade, justificando que as terras locais apresentam pouquíssimas áreas de cultura, com predominância dos solos arenosos e mistos. Além do mais, dizem, as fazendas distam cerca de 400 km da Capital, o que também concorre para reduzir o valor das terras e diminuir a procura por compradores.

Ao impor a nova majoração do ITR, dizem, a prefeita Zilmar Carvalho (PP) conseguiu o feito de superar valores praticados até mesmo em municípios bem próximos da Capital; como Vianópolis, cobrando R$ 23.600,00 sobre a lavoura aptidão boa; ou mesmo Palmeiras de Goiás, com R$ 23.700,00, em números aproximados. Em Aporé, com terras planas e mais férteis, valorizadas pela proximidade com SP, o índice também é parecido: R$ 23.579,88.

REELEIÇÃO PREJUDICADA?
Por fim, esses produtores entendem que deveriam ter mantido, ou até mesmo reduzido os valores do ITR – acompanhando assim, a queda dos valores das terras, ocorrida nos últimos três anos. Ou no máximo, poderiam ter feito os reajustes com base na inflação.

Agora, a expectativa da categoria é que as autoridades municipais revejam os aumentos, ainda há tempo de se evitar os prováveis desgastes econômicos e políticos decorrentes. “Caso contrário, pode até mesmo acontecer desses políticos terem a sua reeleição prejudicada no próximo pleito”, alertam.

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