Indústria brasileira perde posições no ranking mundial e sofre com juros elevados
A indústria de transformação brasileira continua enfrentando dificuldades para acompanhar o crescimento da produção mundial. Segundo levantamento do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), com base em dados da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Unido), o Brasil caiu da 28ª posição no ranking internacional de crescimento industrial, no segundo trimestre de 2024, para a 62ª colocação no mesmo período de 2026. Enquanto a produção industrial mundial acumulou avanço de 7,6% nesses dois anos, a brasileira cresceu apenas 0,84%. O desempenho é atribuído, principalmente, aos juros elevados, que encarecem o crédito, reduzem o consumo e dificultam novos investimentos.
Entre os setores mais prejudicados estão os fabricantes de máquinas e equipamentos, cuja produção acumulou queda de 5,3% até agosto deste ano, após registrar crescimento de 9% em 2024. A indústria de bens de consumo duráveis também perdeu força, com avanço de apenas 2,1% no acumulado de 2026, diante de uma expansão de 10,7% dois anos antes. Especialistas apontam que, além da taxa Selic, atualmente em 13,75% ao ano, o setor enfrenta desafios estruturais, como custos elevados de energia, carga tributária, burocracia e dificuldades de integração às cadeias internacionais de produção. Apesar de uma recuperação recente, o crescimento industrial brasileiro permanece muito abaixo da média global.
Enquanto o Brasil enfrenta limitações, a indústria mundial avança impulsionada por setores de alta tecnologia, especialmente computação, eletrônicos, digitalização e transição energética. De acordo com o Iedi, esses segmentos apresentam crescimento superior ao das atividades industriais tradicionais, mas ainda possuem participação limitada na estrutura produtiva brasileira. Para os economistas, a recuperação nacional dependerá da redução dos juros, da melhoria do ambiente de negócios e de políticas capazes de estimular investimentos e aumentar a competitividade. A perspectiva para os próximos meses permanece cautelosa, com possibilidade de desaceleração em 2027, dependendo das decisões econômicas do próximo governo e do ritmo de queda da Selic.
Com informações: Folha de São Paulo





