Canetas emagrecedoras transformam hábitos alimentares e movimentam indústria no Brasil
O crescimento acelerado do uso de medicamentos para emagrecimento, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, está provocando mudanças no comportamento dos consumidores e levando a indústria brasileira de alimentos a reformular seus produtos. Com a redução do apetite entre os usuários desses tratamentos, cresce a procura por refeições menores, mas com maior concentração de proteínas, fibras e outros nutrientes. Segundo estimativas da consultoria Strategy&, da PwC, o mercado brasileiro desses medicamentos, conhecidos como canetas emagrecedoras, poderá alcançar US$ 9 bilhões até 2030, com crescimento anual projetado de 35%. A transformação representa um novo desafio para empresas que historicamente apostaram no aumento do volume de alimentos vendidos.
Grandes fabricantes já estão adaptando seus portfólios para acompanhar essa tendência. A Seara, do grupo JBS, ampliou sua linha de refeições congeladas com pelo menos 30 gramas de proteína por porção, enquanto a MBRF, responsável pelas marcas Sadia e Perdigão, reformulou produtos para aumentar o teor proteico. A Liv Up, especializada em refeições saudáveis, também identificou crescimento no número de clientes que utilizam medicamentos para emagrecimento, passando de 4% para 14% em aproximadamente um ano. Nos Estados Unidos, um estudo com 150 mil domicílios apontou redução de 5,3% nos gastos com supermercados após seis meses de tratamento, além de queda no consumo de petiscos, fast-food e bebidas alcoólicas. Os dados reforçam a percepção de que esses medicamentos estão influenciando não apenas a quantidade de alimentos consumidos, mas também as escolhas alimentares.
A expansão do mercado brasileiro também chama a atenção pelo alcance entre diferentes classes sociais, apesar dos preços elevados dos medicamentos. Pesquisa do Instituto Locomotiva aponta que um em cada três domicílios brasileiros possui ou já possuiu algum morador que utilizou canetas emagrecedoras. O avanço, entretanto, também trouxe preocupações com a comercialização clandestina e a entrada irregular desses produtos no país. Para especialistas do setor, a tendência é que a indústria alimentícia passe a priorizar cada vez mais a qualidade nutricional e o valor agregado das refeições, em vez de apostar exclusivamente no volume de vendas. Profissionais de saúde ressaltam que o uso desses medicamentos deve ocorrer com acompanhamento médico, associado a uma alimentação equilibrada, para preservar a massa muscular e evitar deficiências nutricionais.
Com informações: Exame





