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Entre a política e o açougue: a picanha volta ao debate

A picanha voltou ao debate político e econômico brasileiro às vésperas de mais uma eleição presidencial, retomando uma promessa simbólica da campanha de 2022. Na ocasião, Luiz Inácio Lula da Silva associou o tradicional churrasco à recuperação da renda e da qualidade de vida da população. Desde então, a disponibilidade de carne bovina no mercado interno apresentou melhora em relação a 2022, enquanto a produção alcançou níveis históricos. Dados citados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontam que a disponibilidade por habitante passou de 28,2 quilos em 2022 para 36 quilos em 2024, antes de recuar para uma estimativa de 34,1 quilos em 2025 e uma projeção de 31,6 quilos em 2026.

Do lado da produção, a pecuária brasileira acumulou recordes e importantes ganhos de produtividade. Em 2025, foram abatidos 42,94 milhões de bovinos, maior resultado da série histórica do IBGE e avanço de 8,2% sobre o ano anterior. A produção de carne bovina havia alcançado 11,1 milhões de toneladas equivalentes de carcaça em 2024, enquanto as exportações continuaram avançando. Somente no primeiro semestre de 2026, o país embarcou 1,811 milhão de toneladas de carnes e subprodutos bovinos, movimentando US$ 9,929 bilhões. O desempenho reflete décadas de investimentos em genética, nutrição, manejo, sanidade e tecnologia, que permitiram elevar a produção sem uma expansão proporcional das áreas de pastagem.

Apesar da maior eficiência no campo e da ampla oferta de proteínas, o acesso aos cortes mais valorizados continua condicionado principalmente à renda das famílias e ao custo de vida. O cenário econômico reúne dívida pública elevada, déficits fiscais e juros ainda altos, fatores que afetam o crédito, os investimentos e o orçamento doméstico. Em agosto de 2026, mesmo após reduções, a taxa Selic permanecia em 14% ao ano. Nesse contexto, o debate sobre a “picanha no prato” vai além do preço de um corte específico e passa pela capacidade do trabalhador de pagar alimentação, moradia, energia, transporte e outras despesas sem comprometer excessivamente sua renda. A produção recorde, portanto, não significa necessariamente que todos os brasileiros tenham ampliado na mesma proporção o acesso aos alimentos de maior valor.

Com informações: Compre Rural

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