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Clima irregular amplia importância da irrigação no campo

O aumento das temperaturas e a maior irregularidade das chuvas estão elevando os riscos para a agricultura brasileira, especialmente nas lavouras de sequeiro. Atualmente, apenas cerca de 5% das áreas agrícolas do país utilizam irrigação, enquanto aproximadamente 95% ainda dependem das precipitações. Com períodos de estiagem mais frequentes ou chuvas mal distribuídas, a disponibilidade de água nas fases mais importantes das culturas passa a ter peso crescente na produtividade e na segurança da produção. Segundo a Embrapa, temperaturas mais altas também aumentam a demanda hídrica das plantas e as perdas de água por evaporação, ampliando a vulnerabilidade das lavouras.

O Brasil possui aproximadamente 8,2 milhões de hectares equipados para irrigação, mas estudos da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) indicam potencial irrigável de até 55 milhões de hectares. Entre os sistemas que mais avançaram estão os pivôs centrais: a área equipada cresceu 225% entre 2010 e 2022 e chegou a aproximadamente 2,2 milhões de hectares em 2024. Minas Gerais, Goiás e Bahia aparecem entre os principais estados na utilização dessa tecnologia, enquanto o Cerrado concentra grande parte das áreas irrigadas por pivôs. Além de reduzir os impactos da falta de chuva, a irrigação pode permitir duas ou até três safras na mesma área ao longo do ano.

A expansão, entretanto, exige planejamento, já que irrigar não significa criar novas reservas de água. A agricultura irrigada responde por parcela significativa da utilização dos recursos hídricos brasileiros, tornando fundamentais medidas como armazenamento, eficiência dos equipamentos, monitoramento das bacias e regularização das captações. Antes de investir, o produtor também precisa avaliar disponibilidade hídrica, custos de energia, exigências de outorga e retorno econômico. Diante das mudanças no regime de chuvas, a irrigação ganha importância não apenas como ferramenta para elevar a produtividade, mas como estratégia para reduzir riscos e garantir maior estabilidade à produção agrícola.

Com informações: Compre Rural

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