Brasileiro vive mais, mas passa 12 anos com problemas de saúde
O aumento da expectativa de vida no Brasil trouxe um novo desafio para a população e o mercado de trabalho: viver mais não significa necessariamente viver com mais saúde. Um estudo publicado na revista científica The Lancet aponta que os brasileiros passam, em média, 12,5 anos da vida convivendo com problemas de saúde, número superior aos 10,4 anos registrados em 1990. Paralelamente, um levantamento da empresa de benefícios VR, divulgado pela EXAME, revelou que doenças crônicas, como diabetes, hipertensão, câncer, ansiedade e depressão, provocam afastamentos profissionais mais prolongados. Em média, essas condições resultam em 13,7 dias de ausência, quase o dobro dos 7,1 dias registrados em outros tipos de doenças analisadas.
A pesquisa avaliou informações de mais de 1,3 milhão de trabalhadores entre julho de 2025 e julho de 2026, período em que 154.773 profissionais precisaram se afastar por questões de saúde. Ao todo, foram registrados 309.423 atestados médicos, que somaram aproximadamente 2,2 milhões de dias de ausência. Embora as doenças crônicas representem apenas 6% dos atestados, elas foram responsáveis por 12% do total de dias de afastamento. Outro dado chama a atenção: as mulheres concentram 65% dos afastamentos relacionados a condições crônicas, enquanto 59% desses registros envolvem trabalhadores entre 25 e 44 anos, demonstrando que o problema também atinge profissionais em plena idade produtiva.
O cenário ganha ainda mais importância diante do envelhecimento da população brasileira. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expectativa de vida chegou a 76,6 anos em 2024, enquanto a proporção de pessoas com 60 anos ou mais poderá alcançar 37,8% da população em 2070. Para especialistas, os dados reforçam a necessidade de ampliar políticas de prevenção, acompanhamento médico e promoção da saúde no ambiente profissional. Empresas também são incentivadas a adotar medidas de flexibilidade e acolhimento para funcionários que convivem com tratamentos prolongados. O principal desafio será garantir que o aumento da longevidade seja acompanhado de qualidade de vida, permitindo que os brasileiros permaneçam saudáveis e ativos por mais tempo.
Com informações: Exame





