Avanço de javalis preocupa produtores e ameaça lavouras no Brasil
O avanço de javalis e javaporcos pelas áreas rurais brasileiras tem aumentado a preocupação do agronegócio diante dos prejuízos às lavouras e dos riscos sanitários para a produção animal. Considerada uma espécie exótica invasora, a população desses animais já possui registros em 15 unidades da Federação, incluindo Goiás, São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Em propriedades com forte infestação, há relatos de perdas de até 40% na cultura do milho, além de danos em pastagens, cercas, estruturas das fazendas e no próprio solo.
Os prejuízos ocorrem principalmente quando os animais invadem áreas cultivadas em busca de alimento, consumindo sementes e plantas, derrubando pés de milho, revolvendo o solo e pisoteando as plantações. A presença dos javalis também obriga produtores a ampliar gastos com cercamento, vigilância e medidas de controle. Além das perdas agrícolas, existe preocupação com a sanidade animal, especialmente na suinocultura, devido à possibilidade de circulação de agentes infecciosos entre animais selvagens e criações comerciais. Entre os principais temores está a Peste Suína Africana (PSA), doença altamente contagiosa que afeta suínos domésticos e selvagens. O Brasil permanece livre da enfermidade, condição considerada estratégica para a produção e as exportações brasileiras de carne suína.
Diante da expansão da espécie, a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) e o Senar realizarão, no dia 15 de setembro, um fórum para discutir novas estratégias de controle. O encontro reunirá representantes do setor produtivo, Ministério da Agricultura e Pecuária, CNA, Embrapa, Ibama e outros órgãos e especialistas, com debates sobre sanidade, produção agropecuária, meio ambiente, legislação e manejo. O javali é considerado espécie exótica invasora e nociva pelo Ibama desde 2013, mas sua elevada capacidade de reprodução e deslocamento dificulta o controle isolado nas propriedades, reforçando a necessidade de ações coordenadas entre produtores, governos e entidades do setor.
Com informações: Compre Rural





