Obsessão por músculos acende alerta entre adolescentes
A preocupação excessiva com a aparência física entre meninos e adolescentes tem chamado a atenção de especialistas, principalmente pelo crescimento da busca obsessiva por músculos e por um corpo considerado ideal. Diferentemente de transtornos de imagem corporal frequentemente associados ao desejo de emagrecer, entre os garotos o problema pode aparecer como necessidade constante de ganhar massa muscular. Segundo o psicólogo clínico Roberto Olivardia, que pesquisa o tema há mais de 30 anos, casos de dismorfia muscular vêm sendo identificados em pacientes cada vez mais jovens, inclusive em meninos de apenas 10 anos.
As redes sociais são apontadas como um dos fatores que ajudam a intensificar o problema. Conteúdos publicados por influenciadores podem estabelecer padrões corporais difíceis de alcançar e transformar práticas extremas em comportamentos aparentemente normais. A situação se torna ainda mais difícil de identificar porque exercícios, alimentação controlada e desenvolvimento muscular são geralmente relacionados à saúde e à disciplina. O alerta surge quando o jovem passa a enxergar o próprio corpo de maneira distorcida, acredita ser pequeno ou pouco musculoso apesar de apresentar uma estrutura física desenvolvida e começa a organizar sua rotina em função da aparência.
Especialistas recomendam que pais, treinadores e profissionais de saúde observem mudanças de comportamento e o impacto da busca pelo corpo ideal na vida cotidiana. Passar várias horas por dia na academia, abandonar atividades sociais, demonstrar insatisfação constante com o próprio corpo ou recorrer a esteroides e outras substâncias são sinais que merecem atenção. A prática de exercícios continua sendo fundamental para a saúde, mas o excesso pode provocar consequências físicas e emocionais. O desafio é diferenciar uma rotina saudável de uma obsessão capaz de comprometer estudos, relacionamentos, saúde e qualidade de vida.
Com informações: BBC News Brasil





