Documentário levanta debate sobre impacto do plástico na fertilidade
O documentário “Detox de Plástico”, da Netflix, acompanha seis casais com dificuldades para engravidar que decidem reduzir drasticamente o uso de plástico no dia a dia, na tentativa de melhorar a fertilidade. A proposta, conduzida pela epidemiologista Shanna Swan, analisa mudanças de hábitos ao longo de três meses, incluindo a substituição de produtos comuns por alternativas menos contaminantes. Apesar da narrativa promissora, a própria pesquisadora reconhece que o experimento não possui rigor científico, com amostra limitada e ausência de grupo de controle.
O tema, no entanto, chama atenção para um problema real: a presença de substâncias químicas associadas ao plástico, como bisfenóis e ftalatos, que podem interferir no sistema hormonal. Esses compostos são classificados como disruptores endócrinos e já foram relacionados a problemas como infertilidade, doenças cardiovasculares e alterações no desenvolvimento neurológico. Diferentemente dos microplásticos, que são partículas físicas, esses aditivos químicos representam a principal preocupação para a saúde reprodutiva.
Especialistas apontam que eliminar totalmente o plástico da rotina é inviável, mas destacam medidas que ajudam a reduzir a exposição, como evitar aquecer alimentos em recipientes plásticos, priorizar alimentos frescos e reduzir o uso de produtos com fragrâncias artificiais. Ainda assim, a solução em larga escala depende de políticas públicas e regulamentações mais rígidas. O documentário levanta reflexões importantes, mas reforça que não há evidências conclusivas de que apenas cortar o plástico seja suficiente para aumentar a fertilidade.
Com informações: Folha de São Paulo





