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Recuperações extrajudiciais avançam no Brasil

O Brasil registra um avanço das recuperações extrajudiciais (RE) como alternativa para empresas endividadas reorganizarem suas finanças antes que a crise resulte em um processo de recuperação judicial. Dados da RGF Associados apontam que 346 CNPJs estavam em recuperação extrajudicial em junho de 2026, maior número desde o início do levantamento, em 2023. Juros elevados e maior restrição à concessão de crédito bancário e no mercado de capitais estão entre os fatores apontados por especialistas para explicar o crescimento.

A utilização do mecanismo ganhou força após mudanças promovidas pela Lei 14.112/2020, que alterou regras para negociação e aprovação dos planos e ampliou instrumentos de proteção às empresas durante a reestruturação. Segundo o Observatório Brasileiro de Recuperação Extrajudicial (Obre), foram registrados 83 casos em 2025, alta de 26% em relação ao ano anterior, enquanto 2026 já soma mais de 50 novos processos. Para especialistas, a maior previsibilidade, o prazo mais curto e os custos inferiores aos de uma recuperação judicial ajudam a explicar a procura crescente pela modalidade.

O movimento também começa a atingir com maior intensidade pequenas e médias empresas, que enfrentam custos elevados para financiar suas atividades. Especialistas avaliam que a combinação entre crédito caro e mecanismos jurídicos mais acessíveis pode manter as recuperações em crescimento nos próximos meses. A negociação antecipada permite ainda que empresas e credores discutam não apenas o pagamento das dívidas, mas mudanças de governança, gestão e estratégias para tentar preservar as operações e evitar um agravamento da situação financeira.

Com informações: Folha de São Paulo

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