Vacina personalizada reduz risco de retorno do melanoma
Uma vacina personalizada de mRNA contra o melanoma apresentou resultados positivos em um ensaio clínico de fase III, reduzindo o risco de recorrência da doença, segundo anúncio das empresas responsáveis pelo estudo. Batizada de intismeran, a tecnologia é desenvolvida pela Moderna e pela Merck e utiliza a mesma plataforma de mRNA que ganhou projeção mundial com as vacinas contra a Covid-19. O resultado representa um avanço importante por se tratar do primeiro tratamento oncológico baseado em mRNA a demonstrar eficácia em um estudo clínico de fase final, etapa decisiva antes de uma possível aprovação regulatória.
O estudo envolveu cerca de 1.100 pacientes com melanoma avançado que tiveram seus tumores completamente removidos por cirurgia. Parte recebeu a vacina personalizada combinada ao pembrolizumabe, medicamento de imunoterapia já utilizado no tratamento do câncer, enquanto outro grupo recebeu somente a imunoterapia. De acordo com as empresas, os pacientes submetidos à combinação permaneceram por mais tempo sem recorrência da doença. A vacina não tem a finalidade de impedir o surgimento inicial do câncer: ela é produzida individualmente a partir do sequenciamento do tumor de cada paciente, identificando mutações e proteínas anormais, chamadas neoantígenos, que podem ser reconhecidas pelo sistema imunológico.
Apesar dos resultados promissores, pesquisadores destacam que os pacientes ainda precisarão ser acompanhados durante anos para determinar se o tratamento também aumenta a sobrevida. Outro desafio é a produção personalizada, que pode levar meses desde a coleta e análise do tumor até a fabricação da vacina. A estratégia, entretanto, pode abrir caminho para novas terapias individualizadas contra diferentes tipos de câncer. Além do melanoma, vacinas personalizadas estão sendo estudadas para tumores de pâncreas, pulmão, estômago, mama, fígado e câncer colorretal.
Com informações: Nature





