Segundo Metrópoles Governo de Goiás repassou R$ 209 milhões a empresas ligadas ao PCC

O governo de Goiás destinou R$ 209 milhões a empresas controladas por Thiago Telles Batista de Souza, apontado como beneficiário final de um esquema de lavagem de dinheiro vinculado ao PCC, em contratos firmados entre 2020 e 2025 para o fornecimento de serviços a hospitais estaduais geridos pelo Instituto de Medicina e Estudos (Imed). As investigações da Polícia Civil de São Paulo, iniciadas na Operação Falso Mercúrio em dezembro de 2024, expõem movimentações atípicas que incluem o uso de intermediários para circular valores em espécie, escapando do controle do Banco Central e do Coaf. O Imed, que recebeu R$ 1,4 bilhão do estado entre 2019 e 2025, terceirizou parte desses recursos para as empresas de Telles, ligadas a tráfico de drogas, jogos ilegais e golpes contra consumidores.
Ligações com o PCC expõem fragilidades em contratos públicos
A presença de fornecedores sob forte suspeita de crimes no rol de contratadas pelo poder público representa grave risco institucional, conforme alertam os investigadores paulistas. Ronaldo Caiado, ex-governador, elogiou a administração do Imed por supostamente melhorar o atendimento à população, mas as revelações de 28 de maio de 2026 mostram que a terceirização de serviços hospitalares em oito unidades estaduais de Goiás ocorreu sem mecanismos eficazes de rastreamento de recursos. A diretora jurídica do Imed, Maria Carolina Lazarini Dias, e a própria entidade afirmam que todas as relações foram estritamente profissionais, porém os dados apontam para um fluxo financeiro que beneficiou indiretamente estruturas criminosas.
Ausência de fiscalização agrava riscos institucionais
A Secretaria de Saúde de Goiás defende que a contratação de fornecedores pelas organizações sociais é responsabilidade exclusiva da entidade gestora, sem necessidade de autorização prévia, o que permitiu a continuidade dos pagamentos mesmo após o início das investigações. Essa postura evidencia uma lacuna na supervisão estatal, já que o Imed operou com autonomia para repassar verbas públicas a empresas controladas por Telles. Os novos desdobramentos reforçam questionamentos sobre a vulnerabilidade de recursos destinados à saúde em Goiás, onde a falta de controles rigorosos facilitou a entrada de atores suspeitos no sistema.
A presença de empresas sob forte suspeita de crimes e movimentações atípicas no rol de contratadas pelo poder público representa grave risco institucional…
Polícia Civil de São Paulo
O caso ressalta a necessidade de maior transparência nas parcerias com organizações sociais, pois a ausência de auditorias preventivas permitiu que milhões de reais fossem direcionados a um esquema de lavagem abastecido por atividades ilícitas. Enquanto as autoridades de São Paulo aprofundam as apurações, o estado de Goiás enfrenta críticas pela gestão que priorizou a terceirização sem avaliar adequadamente os riscos envolvidos.
Fonte: metropoles.com





