Café pode melhorar o humor, mas não combate a depressão
Sentir-se mais disposto após uma xícara de café é comum, mas especialistas alertam que isso não significa que a bebida trate ou previna a depressão. Estudos observacionais mostram que pessoas que consomem café tendem a apresentar menor risco de sintomas depressivos, porém essa associação é considerada fraca. Segundo a psiquiatra Ma-Li Wong, da Suny Upstate Medical University, não há evidências de que o café funcione como tratamento para a doença, diferentemente de medicamentos, exercícios físicos ou acompanhamento médico.
O principal efeito do café está ligado à cafeína, um estimulante que aumenta a sinalização de dopamina no cérebro, promovendo mais energia, atenção e engajamento. De acordo com o psiquiatra Ramin Mojtabai, da Universidade Tulane, isso explica a melhora temporária do humor, especialmente nas primeiras horas do dia. Já a psicóloga Laura Juliano, da American University, afirma que esse efeito é mais perceptível quando a pessoa está cansada, com privação de sono ou esforço mental intenso.
Com o consumo frequente, porém, o cérebro se adapta à cafeína, reduzindo seus efeitos positivos. Nesse caso, a sensação de bem-estar pode ser apenas o alívio de sintomas de abstinência, como fadiga e dor de cabeça. Especialistas recomendam moderação: em geral, uma a duas xícaras por dia tendem a trazer benefícios sem prejuízos. O excesso pode causar ansiedade, tensão e piorar o sono, especialmente quando consumido à noite. Para quem apresenta sintomas depressivos persistentes, a orientação é buscar ajuda profissional, já que hábitos como atividade física, sono de qualidade e convívio social têm impacto muito mais significativo na saúde mental.
Com informações: Folha de São Paulo





