Brasil lidera desinformação sobre vacinas na América Latina
Um levantamento da Fundação Getulio Vargas (FGV) revelou que o Brasil concentra 40% de toda a desinformação sobre vacinas que circula na rede social Telegram na América Latina. O estudo, divulgado no Dia Nacional da Vacinação (17 de outubro), analisou mais de 81 milhões de mensagens publicadas entre 2016 e 2025 em 18 países da região, e identificou 580 mil conteúdos falsos ou enganosos sobre imunização criados e disseminados por usuários brasileiros. Segundo o coordenador do estudo, Ergon Cugler, o país lidera o ranking devido à falta de regulação nas plataformas digitais e ao ambiente de polarização social, que favorece a disseminação de teorias conspiratórias.
Entre as mentiras mais recorrentes estão alegações de que as vacinas causariam morte súbita, alterações no DNA, Aids, envenenamento ou câncer — todas sem qualquer base científica. O estudo também apontou que esses grupos utilizam estratégias de manipulação, oferecendo “antídotos” e terapias milagrosas, como o uso de dióxido de cloro, uma substância tóxica e sem eficácia, proibida pela Anvisa para consumo humano. De acordo com Cugler, a desinformação se tornou um “mercado lucrativo”, em que o medo é explorado para vender produtos e cursos baseados em pseudociência e espiritualidade.
Durante a pandemia de covid-19, o volume de mensagens antivacina cresceu quase 700 vezes, e, embora tenha diminuído, o número de publicações falsas ainda é 122 vezes maior do que antes de 2019. O Ministério da Saúde reforça que vacinas são seguras e salvam vidas, e lançou o programa “Saúde com Ciência”, que reúne informações confiáveis e ferramentas para denunciar fake news. A pasta alerta: antes de compartilhar qualquer conteúdo, é essencial verificar a fonte e consultar profissionais de saúde — porque a desinformação não só engana, mas coloca vidas em risco.





