Polêmicas de arbitragem reacendem debate sobre profissionalização dos juízes no futebol brasileiro
O clássico entre São Paulo e Palmeiras, neste domingo (5), reacendeu a discussão sobre a qualidade e profissionalização da arbitragem no futebol brasileiro. A vitória do Palmeiras por 3 a 2, após virar o placar, foi marcada por críticas do técnico Hernán Crespo à não marcação de um pênalti quando o São Paulo ainda vencia por dois gols. Em Bragança Paulista, um dia antes, o Grêmio também reclamou da atuação do árbitro na derrota para o Bragantino, após a marcação de um pênalti nos acréscimos e a expulsão do zagueiro Kannemann.
As queixas de jogadores e técnicos se somam a um antigo pedido por profissionalização da categoria. O técnico Abel Ferreira, do Palmeiras, defendeu que árbitros recebam salários fixos e treinamento contínuo, ressaltando que a melhoria da arbitragem exige investimento e tempo. Atualmente, os juízes brasileiros atuam de forma autônoma, conciliando a função com outras profissões, e recebem entre R$ 3 mil e R$ 7 mil por partida, valor inferior ao de árbitros profissionalizados em ligas europeias, como a Premier League, onde os rendimentos podem ultrapassar R$ 2 milhões anuais.
O tema voltou à tona também após o árbitro Felipe Fernandes de Lima desmaiar durante um jogo amador em Minas Gerais, por desidratação, horas depois de apitar uma partida da Série A. O episódio expôs a falta de estrutura e suporte aos profissionais. Mesmo com a CBF anunciando ajustes no calendário de 2026 para valorizar os campeonatos nacionais, não há previsão de mudanças no modelo de arbitragem. Enquanto países como Inglaterra, Espanha e Portugal já contam com árbitros contratados e profissionalizados, o Brasil segue sem um plano concreto para valorizar e aprimorar a categoria.
Com informações: Exame





