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Estudo identifica células cerebrais ligadas à dor crônica e abre caminho para novos tratamentos

Cientistas da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, descobriram um pequeno grupo de neurônios cerebrais responsáveis pela dor persistente, um tipo de dor que continua mesmo após a recuperação de uma lesão. A pesquisa, publicada na revista Nature, foi realizada em camundongos e indica que essas células, localizadas no núcleo parabraquial, permanecem ativas por longos períodos e estão associadas à dor crônica, condição que afeta cerca de uma em cada cinco pessoas no mundo. A descoberta pode representar um avanço significativo para o desenvolvimento de novas terapias de alívio da dor.

Os pesquisadores observaram que esses neurônios possuem receptores para o neuropeptídeo Y, uma substância química natural do cérebro que pode reduzir a atividade das células relacionadas à dor. Ao bloquear a ação desses neurônios, os camundongos apresentaram redução expressiva da dor persistente, sem perder a sensibilidade a estímulos de curta duração, como o contato com superfícies quentes. Segundo o autor do estudo, Nicholas Betley, o cérebro parece ter um mecanismo inato para “desligar” a dor quando surgem necessidades mais urgentes, como fome, sede ou situações de perigo.

Os resultados reforçam a ideia de que a dor é um fenômeno altamente modulável e influenciado por fatores emocionais e comportamentais. Para a neurocientista Ann Kennedy, do Instituto Scripps, o estudo mostra que o cérebro pode “reorganizar prioridades”, desviando a atenção da dor em momentos críticos. Especialistas apontam que o neuropeptídeo Y pode se tornar um novo alvo para medicamentos e terapias não invasivas, como meditação e acupuntura, abrindo novas perspectivas para quem sofre com dores crônicas — um campo que há décadas enfrenta desafios no desenvolvimento de tratamentos eficazes e seguros.

Com informações: Nature

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