Estudo liga obesidade ao avanço do Alzheimer
Um estudo apresentado no congresso anual da Sociedade Radiológica da América do Norte aponta que a obesidade pode acelerar, ao longo dos anos, a concentração de biomarcadores associados à doença de Alzheimer. A pesquisa reforça a necessidade de aprofundar as investigações sobre o tema, diante do potencial impacto da descoberta, inclusive na possibilidade de que medicamentos contra a obesidade ajudem a reduzir o risco de demência.
A relação entre excesso de peso e doenças neurodegenerativas já é debatida na literatura médica. Segundo Raphael Machado de Castilhos, do Departamento Científico de Cognição e Envelhecimento da Academia Brasileira de Neurologia, pessoas com obesidade entre os 40 e 60 anos apresentam maior probabilidade de desenvolver demência em idades mais avançadas. A nova pesquisa acompanhou 407 pacientes, com idade média de 72 anos, avaliando obesidade por meio do Índice de Massa Corporal (IMC) e indicadores do Alzheimer a partir de exames de imagem e testes sanguíneos.
Após cinco anos de acompanhamento, os resultados mostraram que participantes com obesidade no início do estudo tiveram um aumento significativamente maior na concentração de amiloides no cérebro — em alguns casos, até 95% superior ao grupo sem excesso de peso. Embora os exames de sangue tenham apresentado resultados variados, os dados de tomografia reforçam a associação entre obesidade e risco aumentado de Alzheimer. Especialistas ressaltam, no entanto, que novos estudos são necessários para avaliar outros fatores de risco associados, como hipertensão e diabetes, antes de estabelecer conclusões definitivas.
Com informações: Folha de São Paulo




