Especialistas alertam: “enema de café” é perigoso e sem comprovação científica
Uma prática arriscada tem ganhado espaço nas redes sociais: o “enema de café”, procedimento em que a bebida é introduzida pelo reto com a promessa de “limpar” o intestino e desintoxicar o organismo. No Instagram, a hashtag #enema já reúne mais de 44 mil publicações, muitas delas associando a técnica a supostos benefícios como emagrecimento, melhora da digestão, aumento da energia e até cura do câncer — promessas sem qualquer respaldo científico.
De acordo com a oncologista Ana Paula Garcia Cardoso, do Hospital Israelita Albert Einstein, não existem evidências que sustentem a prática. “É uma teoria empírica, baseada apenas em observações, sem comprovação científica ou consistência”, afirma. A médica explica que o método surgiu na década de 1930, dentro da chamada Terapia de Gerson, proposta pelo médico alemão Max Gerson, que associava dieta vegetariana, suplementos e enemas ao tratamento de doenças graves — algo já desacreditado pela ciência moderna.
Os riscos do enema de café são graves e vão desde cólicas, diarreia e sangramentos até queimaduras retais, infecções e perfuração intestinal. O uso repetido pode causar inflamações, desequilíbrios eletrolíticos e ansiedade devido à absorção excessiva de cafeína. Segundo o Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp), o procedimento é considerado charlatanismo e não possui indicação médica. Especialistas reforçam: práticas sem respaldo científico colocam a saúde em risco e nunca devem substituir tratamentos reconhecidos.
Com informações: Folha de São Paulo





