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Demência comum na velhice vai além do Alzheimer

Durante muitos anos, a maioria dos quadros de demência em idosos foi automaticamente associada à doença de Alzheimer. Pesquisas mais recentes, no entanto, mostram que até 20% desses casos podem ter outra origem biológica: a Late, uma condição relacionada ao envelhecimento avançado que afeta áreas do cérebro ligadas à memória. Descrita oficialmente em 2019 por pesquisadores da Universidade do Kentucky, a doença ajuda a explicar situações em que pacientes apresentam sintomas típicos de Alzheimer, mas não exibem seus marcadores clássicos em exames.

Embora semelhantes do ponto de vista clínico, Late e Alzheimer possuem mecanismos distintos. Enquanto o Alzheimer é caracterizado pelo acúmulo das proteínas beta-amiloide e tau, a Late envolve o depósito anormal da proteína TDP-43 em regiões como o hipocampo e a amígdala. Segundo o neurologista Iron Dangoni, do Hospital Israelita Albert Einstein em Goiânia, reconhecer essa diferença é essencial para evitar diagnósticos imprecisos, alinhar expectativas sobre a progressão da doença e compreender por que alguns pacientes não respondem adequadamente a terapias voltadas exclusivamente ao Alzheimer.

O diagnóstico da Late ainda representa um desafio, já que a confirmação definitiva ocorre apenas por análise neuropatológica após a morte. Avanços recentes incluem a publicação de critérios clínicos em janeiro de 2025 na revista Alzheimer’s & Dementia, além de estudos em andamento que buscam biomarcadores específicos. No Brasil, o reconhecimento da condição ocorre de forma indireta, com base no perfil clínico e na exclusão do Alzheimer, enquanto iniciativas como o Biobanco para Estudos do Envelhecimento da Universidade de São Paulo contribuem para ampliar o entendimento da doença e seu impacto na população idosa.

Com informações: Folha de São Paulo

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