Estudo reforça risco do álcool para câncer
Uma pesquisa australiana publicada no British Journal of Cancer reforça a relação entre o consumo de álcool e o aumento da mortalidade por diferentes tipos de câncer. O levantamento revisou estudos que associam padrões de ingestão alcoólica a tumores de fígado, trato aerodigestivo superior — que inclui boca, garganta e esôfago —, intestino (colorretal) e mama. A análise utilizou dados coletados na Austrália entre 1950 e 2018, período em que o consumo médio anual foi de 12 litros entre homens e 6 litros entre mulheres.
Os resultados indicam que a redução de um litro de álcool por ano esteve associada à queda na mortalidade por câncer do trato aerodigestivo superior em 3,6% nos homens e 3,4% nas mulheres. No câncer de fígado, a diminuição foi de 4% entre homens, enquanto no colorretal houve recuo de 1,2% nos homens e 0,7% nas mulheres. Já no câncer de mama, a redução foi de 2,3% entre mulheres. Segundo especialistas, embora o efeito seja populacional, os dados reforçam que o risco é cumulativo e dose-dependente, e não existe nível seguro de consumo para prevenção do câncer.
O álcool é classificado como fator de risco por provocar alterações celulares importantes. No organismo, o etanol é transformado em acetaldeído, substância tóxica capaz de danificar o DNA e prejudicar mecanismos de reparo celular. Além disso, a ingestão frequente está ligada ao aumento do estresse oxidativo, inflamação crônica e alterações hormonais, especialmente no caso do câncer de mama. Especialistas alertam que interromper o consumo reduz gradualmente os riscos ao longo dos anos, reforçando que sempre é tempo de repensar hábitos para preservar a saúde.
Com informações: Folha de São Paulo





