Especialistas pedem reconhecimento da não adesão como fator de risco cardiovascular
Mais de 40 entidades médicas e 43 especialistas da América Latina, incluindo o Brasil, defendem que a não adesão ao tratamento de doenças crônicas, como hipertensão e diabetes, seja oficialmente reconhecida como fator de risco modificável para infarto e AVC. A proposta integra o documento “Recomendaciones de Expertos Latinoamericanos en Adherencia e Inercia Terapéutica Cardiovascular, y su Impacto en Salud Pública”, publicado com apoio de entidades como a Sociedade Brasileira de Hipertensão. O consenso reúne 275 referências científicas e destaca que a falha no seguimento terapêutico compromete a eficácia das intervenções e favorece complicações evitáveis.
O material também chama atenção para a chamada inércia terapêutica, quando o tratamento não é ajustado mesmo sem atingir as metas clínicas. Segundo especialistas, tanto a baixa adesão quanto a inércia médica estão entre os principais entraves no controle de doenças como hipertensão, diabetes tipo 2, dislipidemia, insuficiência cardíaca e doença renal crônica. A estimativa é que o abandono ou uso irregular de medicamentos gere custos superiores a US$ 2 bilhões por ano na América Latina, devido a hospitalizações e atendimentos de emergência que poderiam ser evitados.
Entre as principais causas para a interrupção do tratamento estão a falta de informação sobre a doença, esquemas terapêuticos complexos e falhas na comunicação entre médico e paciente. O documento recomenda estratégias como simplificação do uso de medicamentos, metas claras, linguagem acessível e fortalecimento do vínculo médico-paciente. Dados internacionais reforçam o alerta: no Brasil, a não adesão atinge cerca de 50% dos pacientes com doenças crônicas, índice semelhante ao global, e está associada ao aumento de mortes e dos custos em saúde.
Com informações: Folha de São Paulo





