Terapia com células-tronco avança no tratamento da espinha bífida
Um estudo clínico inicial aponta que a aplicação de células-tronco na medula espinhal de fetos ainda no útero pode representar um avanço no tratamento da espinha bífida, especialmente na forma mais grave, a mielomeningocele. A condição afeta menos de 1 a cada 1.000 nascimentos no mundo e pode causar paralisia, comprometimento dos movimentos e dificuldades no controle da bexiga e do intestino. No ensaio conduzido por pesquisadores da Universidade da Califórnia, em Davis, seis gestantes passaram por cirurgia entre a 24ª e a 25ª semana de gestação, quando células-tronco derivadas da placenta foram aplicadas diretamente na medula exposta dos fetos.
Segundo os pesquisadores, o procedimento se mostrou seguro, sem complicações cirúrgicas, infecções ou sinais de crescimento tumoral nos recém-nascidos, que vieram ao mundo por volta da 34ª semana. Todos apresentaram reversão da herniação da fossa posterior, uma complicação associada à doença que pode afetar o cérebro. Especialistas destacam que, embora os resultados sejam considerados animadores, o número reduzido de participantes exige cautela e acompanhamento a longo prazo para avaliar benefícios reais no desenvolvimento motor das crianças.
Atualmente, a cirurgia intrauterina já é utilizada para corrigir o defeito na medula, mas não reverte completamente os danos neurológicos causados durante a gestação. Pesquisas anteriores com modelos animais indicaram que o uso de células-tronco pode ampliar as chances de recuperação funcional. A equipe responsável já recebeu autorização para ampliar o estudo com mais 29 participantes, etapa considerada fundamental para confirmar a eficácia da terapia e acompanhar o crescimento e o desenvolvimento das crianças ao longo dos próximos anos.
Com informações: Nature





