Estudo britânico aponta possível teste para diagnosticar síndrome da fadiga crônica
Pesquisadores do Reino Unido identificaram uma possível ferramenta para o diagnóstico da síndrome da fadiga crônica (EM/SFC), uma doença ainda misteriosa que afeta milhões de pessoas no mundo. O estudo, publicado no Journal of Translational Medicine, revelou que é possível distinguir alterações epigenéticas em células sanguíneas de pacientes com a condição, com precisão de 96%. O avanço pode abrir caminho para o desenvolvimento de um exame de sangue simples e eficaz, capaz de confirmar o diagnóstico e permitir tratamentos mais precoces.
A EM/SFC, também conhecida como encefalomielite miálgica, é uma doença debilitante caracterizada por fadiga extrema e disfunções imunológicas, atingindo de 17 a 24 milhões de pessoas no mundo. Até hoje, a falta de testes laboratoriais confiáveis dificulta o diagnóstico e o acompanhamento clínico. A nova técnica analisa como o DNA é dobrado nas células do sangue, identificando padrões epigenéticos ligados à resposta imunológica e inflamatória. Segundo o autor principal, Dmitry Pshezhetskiy, da Universidade de East Anglia, a descoberta representa um passo importante rumo à criação de um biomarcador clínico para a doença.
Apesar do entusiasmo, especialistas pedem cautela. O estudo envolveu apenas 108 participantes, e os pesquisadores reconhecem que serão necessários ensaios maiores e de longo prazo para validar os resultados. Cientistas como Katie Glass, da Universidade Cornell, e Chris Ponting, da Universidade de Edimburgo, destacam que o desafio está em encontrar biomarcadores individuais, e não apenas médias entre grupos. Mesmo assim, o avanço renova a esperança de pacientes e pesquisadores que buscam há décadas um método confiável para identificar e tratar a síndrome da fadiga crônica.
Com informações: Nature





