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Selênio e tireoide: entre benefícios reais e exageros

O selênio ganhou destaque nos últimos anos como possível aliado da saúde, especialmente no cuidado com a tireoide. Essencial ao organismo, o micronutriente participa de funções metabólicas importantes e integra enzimas ligadas à ativação dos hormônios tireoidianos. No entanto, especialistas alertam que parte da fama do selênio vem de interpretações apressadas da ciência, o que tem alimentado mitos sobre seus supostos benefícios amplos e universais.

A discussão se intensifica diante da alta prevalência das doenças da tireoide. Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que cerca de 750 milhões de pessoas no mundo convivem com algum distúrbio tireoidiano. No Brasil, estimativas da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia apontam que até 60% da população poderá desenvolver alguma alteração ao longo da vida. Estudos observacionais associam baixos níveis de selênio a maior risco de doenças autoimunes, como a tireoidite de Hashimoto e a doença de Graves, além de possíveis benefícios modestos quando a suplementação é usada como apoio ao tratamento convencional.

Apesar disso, não há consenso para o uso indiscriminado do mineral. Ensaios clínicos não confirmaram efeitos protetores contra câncer ou doenças cardiovasculares, e o excesso pode trazer riscos à saúde. A alimentação habitual da maioria dos brasileiros já fornece selênio suficiente, e a margem entre a dose adequada e a tóxica é estreita. Por isso, a suplementação só é indicada em situações específicas, após avaliação médica. O recado dos especialistas é claro: o selênio pode ajudar em casos bem definidos, mas mais não significa melhor.

Com informações: Folha de São Paulo

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