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SBNI atualiza diretrizes sobre autismo e reforça diagnóstico clínico precoce

A Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil (SBNI) divulgou novas diretrizes para o diagnóstico, investigação e tratamento do transtorno do espectro autista (TEA) no Brasil. O documento, baseado nas mais recentes evidências científicas, orienta os médicos a priorizarem o diagnóstico clínico precoce, feito por meio de observação e entrevistas com os pais, além de recomendar intervenções comportamentais estruturadas e baseadas em evidências, como a análise do comportamento aplicada (ABA).

As novas orientações alertam para o uso de terapias sem comprovação científica, como dietas restritivas, ozonioterapia, uso indiscriminado de suplementos, canabidiol e células-tronco, que, segundo a SBNI, não apresentam eficácia comprovada e podem gerar riscos físicos e financeiros às famílias. A diretriz também reforça que não há medicação capaz de tratar os sintomas centrais do autismo, sendo o tratamento medicamentoso indicado apenas para comorbidades associadas, como irritabilidade, TDAH, distúrbios do sono e ansiedade.

O documento ainda aborda questões éticas e legais, orientando que o médico não fixe uma carga horária rígida de terapias e que o acompanhante especializado seja fornecido pelas escolas, não pelos planos de saúde. Para o neurologista Erasmo Casella, chefe da Unidade de Neuropediatria do Instituto da Criança da USP, o objetivo da atualização é “trazer clareza sobre o que realmente tem respaldo científico no tratamento do autismo”. Já o pesquisador Guilherme de Almeida, da Unicamp, avaliou que as novas diretrizes ainda refletem uma visão tradicional, pouco alinhada à perspectiva da neurodiversidade e aos direitos das pessoas autistas.

Com informações: Folha de São Paulo

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