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Como os remédios para obesidade reduzem o “ruído alimentar” no cérebro

Pesquisadores identificaram pela primeira vez um biomarcador neural ligado ao chamado “ruído alimentar” — pensamentos compulsivos e intrusivos sobre comida — e descobriram que ele pode ser temporariamente silenciado pelo medicamento tirzepatida, comercializado como Mounjaro ou Zepbound. O achado veio da análise direta de sinais elétricos no cérebro de uma mulher com obesidade grave, que teve um eletrodo implantado no núcleo accumbens, região associada à recompensa. Logo após iniciar o uso do medicamento, os padrões de atividade cerebral relacionados aos impulsos alimentares praticamente desapareceram.

O estudo, publicado na Nature Medicine, surgiu como um bônus inesperado de uma pesquisa que investigava o uso de estimulação cerebral profunda para tratar compulsão alimentar em casos resistentes a outros tratamentos. Nos dois primeiros participantes, os pesquisadores observaram que episódios de desejo intenso coincidiam com um aumento específico na atividade de baixa frequência do núcleo accumbens. Já na terceira participante, que iniciou tirzepatida antes do procedimento, esse padrão praticamente sumiu — junto com os impulsos compulsivos — sugerindo que o medicamento pode modular diretamente a atividade neural que sustenta o comportamento.

No entanto, o efeito não foi permanente. Entre cinco e sete meses após o implante, a atividade cerebral indicativa de compulsão voltou a aumentar, antecedendo o retorno dos desejos por comida. Os cientistas levantam hipóteses como tolerância ao medicamento ou dessensibilização dos receptores de GLP-1 na região. Mesmo assim, o estudo abre portas para o desenvolvimento de terapias voltadas especificamente ao combate do ruído alimentar, indo além do foco atual desses medicamentos, que é a perda de peso.

Com informações: Nature

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