Diagnósticos de TDAH disparam e levantam alerta global
Os diagnósticos de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) vêm crescendo de forma expressiva em diversos países, especialmente nos Estados Unidos, onde mais de 11% das crianças já receberam o diagnóstico em alguma fase da vida. Especialistas afirmam que esse aumento não indica necessariamente uma explosão de casos, mas sim maior conscientização, acesso a informações e mudanças nos critérios que guiam o diagnóstico clínico. Também contribuem para esse avanço o reconhecimento tardio de sintomas em meninas e mulheres, que antes passavam despercebidos, e a popularização do tema nas redes sociais, sobretudo no TikTok, onde muitos identificam sinais que os levam a procurar ajuda profissional.
Apesar de autoridades de saúde americanas apontarem para uma possível “crise de sobrediagnóstico e sobretratamento”, especialistas reforçam que o TDAH ainda é amplamente subdiagnosticado — especialmente em países de baixa e média renda, onde o acesso a especialistas é limitado. Médicos alertam que, embora o movimento da neurodiversidade tenha ampliado a compreensão sobre o tema, o transtorno pode trazer dificuldades reais, como problemas escolares, maior risco de acidentes, uso de substâncias e prejuízos na vida adulta. Por isso, defendem que tanto os modelos médico quanto neurodivergente devem coexistir, equilibrando acolhimento, adaptações e tratamento adequado quando necessário.
As discussões também se intensificam diante da ampliação do uso de medicamentos. Estudos internacionais mostram que estimulantes e a atomoxetina são eficazes na redução dos principais sintomas, embora devam ser administrados após avaliação abrangente. Pesquisadores ainda buscam novas formas de personalizar tratamentos e compreender por que os sintomas podem flutuar ao longo da vida. O consenso, porém, é claro: o contexto — escolar, social e familiar — influencia profundamente o impacto do TDAH. Assim, o maior desafio atual é garantir diagnósticos precisos, combater a desinformação e construir ambientes capazes de permitir que pessoas com TDAH alcancem seu potencial.
Com informações: Nature





