Queda da fecundidade redesenha perfil das famílias no Brasil
A taxa de fecundidade no Brasil caiu de forma significativa nas últimas décadas e já está em torno de 1,55 filho por mulher, segundo o Censo de 2022. O contraste com a década de 1940, quando eram registrados mais de seis nascimentos por mulher, evidencia uma profunda transformação demográfica. Especialistas apontam que fatores como mudanças no mercado de trabalho, maior escolaridade feminina e novos projetos de vida ajudam a explicar por que cada vez mais mulheres optam por ter menos filhos ou adiar a maternidade.
Estudo intitulado “Understanding Latin America’s Fertility Decline: Age, Education and Cohort Dynamics”, assinado por Milagros Onofri, Inés Berniell, Raquel Fernández e Azul Menduiña, analisa a queda da fecundidade em diversos países da América Latina, incluindo o Brasil. A pesquisa mostra que a redução de nascimentos entre mulheres com menos de 30 anos foi determinante entre 2000 e 2022. No Brasil, o grupo de 20 a 24 anos respondeu por 39% da redução total no período, enquanto adolescentes de 15 a 19 anos contribuíram com 28%. Em 2022, a idade média das brasileiras ao terem filhos chegou a 28,1 anos.
Além da idade, o nível de escolaridade também influencia o cenário. Dados comparativos de países como Estados Unidos, Chile, Panamá, México, Costa Rica, Colômbia e Argentina indicam queda nos nascimentos em praticamente todas as faixas de instrução, especialmente entre mulheres com menor escolaridade. A análise por coortes revela ainda que não se trata apenas de adiamento da maternidade: gerações mais recentes efetivamente têm menos filhos. No Brasil, mulheres nascidas em meados dos anos 1950 tiveram, em média, mais de três filhos, enquanto aquelas da geração de 1979 a 1983 tiveram menos de dois, sinalizando impactos diretos nas políticas públicas de trabalho, cuidado e previdência.
Com informações: Folha de São Paulo





