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Redes sociais e saúde mental: ciência contesta relação direta

A relação entre redes sociais, smartphones e a saúde mental de crianças e adolescentes pode ser mais complexa do que sugere a ideia de que essas tecnologias seriam responsáveis pelo aumento da ansiedade e da depressão entre os jovens. A psicóloga canadense Candice Odgers, professora da Universidade da Califórnia em Irvine e pesquisadora do tema há 25 anos, afirma que grande parte dos estudos encontra associações pequenas entre o uso das redes e problemas de saúde mental. Segundo ela, essas relações frequentemente diminuem ou desaparecem quando são considerados outros fatores, como traumas, ambiente familiar, saúde mental dos responsáveis, violência e dificuldades econômicas.

A especialista não descarta os riscos existentes no ambiente digital, como bullying, assédio, exploração, exposição a conteúdos inadequados e efeitos negativos sobre grupos mais vulneráveis. No entanto, argumenta que simplesmente proibir smartphones ou redes sociais pode não solucionar os problemas de saúde mental e, em alguns casos, pode levar adolescentes a ambientes menos regulados. Odgers defende maior responsabilização das empresas de tecnologia e medidas para tornar as plataformas mais seguras. No Brasil, o debate ganhou ainda mais atenção com a entrada em vigor do ECA Digital e, nesta semana, com a suspensão de transmissões ao vivo no Discord após determinação da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD).

Estudos e entidades científicas também apontam que não há uma explicação única para os problemas de saúde mental entre adolescentes. Um comitê da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos classificou como pequenos os efeitos encontrados nas pesquisas sobre redes sociais e bem-estar, ressaltando que as experiências online podem ser positivas ou negativas. Para Odgers, fatores sociais, familiares e econômicos precisam fazer parte da discussão, assim como os benefícios que a internet pode proporcionar, como conexão com amigos, acesso à informação e busca por apoio. A orientação é que famílias avaliem a maturidade, rotina e realidade de cada criança ou adolescente, enquanto governos e empresas trabalham para reduzir os riscos do ambiente digital.

Com informações: BBC News Brasil

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