Fertilizantes caros e El Niño elevam riscos para agricultura mundial
A agricultura mundial entra em um período de maior incerteza diante da combinação entre alta dos fertilizantes, dificuldades logísticas no Oriente Médio e possibilidade de um El Niño muito intenso. Dados citados pelo Banco Mundial indicam que os fertilizantes ficaram 35% mais caros nos cinco primeiros meses de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025. Ao mesmo tempo, interrupções em rotas estratégicas, como o Estreito de Ormuz, aumentam a preocupação com o fornecimento e os custos de insumos como ureia, amônia e fosfatos. No campo climático, projeções do Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos apontam elevada probabilidade de o El Niño alcançar forte intensidade durante o outono e o inverno de 2026/27 no Hemisfério Norte.
A preocupação está na possibilidade de os dois fatores atingirem simultaneamente importantes regiões produtoras. Fertilizantes mais caros podem levar agricultores a reduzir doses, adiar compras ou diminuir investimentos, limitando o potencial produtivo das lavouras. Caso isso coincida com seca, calor extremo, excesso ou irregularidade das chuvas, as perdas podem ser ampliadas. Commodities como trigo, milho, arroz, café, cacau e açúcar estão entre as que exigem atenção, embora os efeitos do El Niño sejam diferentes em cada região. No Brasil, o Sul tende a ficar mais exposto a chuvas volumosas, enquanto outras áreas podem enfrentar temperaturas mais altas e períodos de menor precipitação. O país também apresenta vulnerabilidade pela elevada dependência de fertilizantes importados, próxima de 85%.
Apesar do aumento dos riscos, o cenário atual não indica uma escassez generalizada de alimentos. A produção mundial de cereais continua em níveis elevados e os preços internacionais permanecem abaixo dos picos registrados durante a crise de 2022. O principal alerta está na possibilidade de vários choques ocorrerem ao mesmo tempo, reduzindo a capacidade do mercado global de compensar eventuais perdas de produção. Se problemas climáticos forem acompanhados por fertilizantes caros, restrições comerciais e dificuldades logísticas, os reflexos poderão alcançar as cotações agrícolas e, posteriormente, os preços pagos pelos consumidores. As próximas safras serão decisivas para mostrar até que ponto o sistema alimentar mundial conseguirá absorver essa combinação de riscos.
Com informações: Compre Rural





