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Estudo aponta sinais de transtornos mentais no cérebro anos antes dos sintomas

Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos com quase 12 mil crianças e adolescentes revelou que o ritmo de amadurecimento do cérebro pode estar relacionado ao desenvolvimento de problemas de saúde mental anos antes do aparecimento dos primeiros sintomas. Durante seis anos, cientistas analisaram aproximadamente 30 mil exames cerebrais para compreender como diferentes regiões do cérebro se desenvolvem ao longo da adolescência. Os resultados indicaram que alterações na velocidade de maturação do córtex cerebral, camada responsável por funções como memória, raciocínio e controle emocional, podem estar associadas ao surgimento de sintomas de ansiedade e depressão até quatro anos depois. As descobertas foram divulgadas em outubro na plataforma científica bioRxiv e ainda aguardam revisão por outros especialistas.

Os pesquisadores observaram que o cérebro passa por um processo natural de afinamento do córtex durante o crescimento, relacionado à reorganização das conexões entre os neurônios. Esse amadurecimento acontece inicialmente nas regiões responsáveis pelos sentidos, por volta dos 13 anos, avançando posteriormente para áreas ligadas ao planejamento, concentração e regulação das emoções, aproximadamente aos 16 anos. O estudo identificou que crianças com determinadas regiões cerebrais mais espessas aos 9 e 11 anos apresentaram maior probabilidade de desenvolver sintomas emocionais aos 13 anos. Os cientistas também constataram que o processo de maturação ocorre, em média, mais rapidamente nas meninas e pode estar relacionado à atividade de genes presentes desde o período de desenvolvimento fetal.

Apesar dos resultados promissores, especialistas alertam que as diferenças identificadas são sutis e ainda não permitem prever individualmente se uma criança desenvolverá algum transtorno psiquiátrico. A pesquisa representa, entretanto, um avanço na compreensão da relação entre desenvolvimento cerebral e saúde mental, ao sugerir que o momento em que determinadas regiões amadurecem pode ser tão importante quanto suas funções. Os pesquisadores destacam que novos estudos serão necessários para confirmar as descobertas e avaliar possíveis aplicações clínicas. A expectativa é que esse conhecimento contribua futuramente para melhorar as estratégias de identificação precoce e acompanhamento de crianças e adolescentes com maior vulnerabilidade a problemas emocionais.

Com informações: Nature

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