Estudo aponta avanço no tratamento da alergia a amendoim
Um estudo publicado na revista Science Translational Medicine trouxe resultados promissores para o tratamento da alergia ao amendoim. Pesquisadores observaram que seis pessoas com alta sensibilidade ao alimento passaram a tolerar pequenas quantidades da oleaginosa após receberem um transplante fecal, técnica que utiliza bactérias intestinais provenientes de doadores saudáveis para modificar o microbioma. O ensaio clínico, realizado com 15 participantes, é o primeiro a demonstrar esse efeito em seres humanos.
Antes do tratamento, os voluntários não conseguiam consumir sequer meio amendoim sem apresentar reação alérgica. Quatro meses após o procedimento, parte dos participantes passou a tolerar quantidades equivalentes a até dois amendoins e meio sem desenvolver resposta imunológica significativa. Os pesquisadores acreditam que determinadas bactérias intestinais podem ajudar a reduzir a reação do sistema imunológico aos alimentos, abrindo caminho para novas abordagens terapêuticas. Apesar dos resultados positivos, nove participantes não apresentaram melhora, indicando que a eficácia ainda depende de fatores que seguem em investigação.
Os cientistas ressaltam que a técnica ainda está em fase experimental e não deve ser utilizada fora de estudos clínicos. Um novo ensaio, com maior número de participantes e doses mais elevadas das bactérias intestinais, já está em andamento para confirmar os resultados e identificar quais pacientes podem se beneficiar do tratamento. Se os estudos continuarem avançando, especialistas estimam que poderão ser necessários cerca de dez anos para que uma terapia baseada no microbioma esteja disponível na prática clínica, oferecendo uma alternativa às atuais estratégias, que se concentram na restrição alimentar e no uso de adrenalina em casos de emergência.
Com informações: Nature





