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Envelhecer sem filhos amplia debate sobre redes de cuidado

O envelhecimento da população brasileira e a redução do número de filhos estão transformando a maneira como as pessoas planejam os cuidados para a velhice. Especialistas apontam que a ideia tradicional de ter filhos como garantia de assistência no futuro vem perdendo espaço diante das mudanças sociais, profissionais e familiares. Dados do Censo mostram que a taxa de fecundidade brasileira caiu de 6,28 filhos por mulher na década de 1960 para 1,55 em 2022. Ao mesmo tempo, o país já contabilizava mais de 32 milhões de pessoas com 60 anos ou mais naquele ano, crescimento de 56% em relação a 2010.

Nesse novo cenário, planejamento financeiro, cuidados preventivos com a saúde e construção de vínculos sociais ganham importância para quem deseja envelhecer com maior autonomia. Amigos, vizinhos, irmãos, sobrinhos e outros parentes podem formar redes de apoio capazes de complementar ou até substituir o papel tradicionalmente atribuído aos filhos. Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos com 2,6 mil idosos com limitações para atividades cotidianas reforçou a relevância dessas relações, mostrando a participação de amigos e vizinhos em tarefas como transporte para consultas médicas e compras.

As transformações também impulsionam a procura por cuidadores profissionais e serviços especializados. Entre 2000 e 2022, a proporção de casais sem filhos no Brasil dobrou, passando de 12% para 24% dos arranjos familiares formados por casais. Para pesquisadores, o rápido envelhecimento da população deverá exigir uma participação cada vez maior de profissionais, instituições e políticas públicas no atendimento às pessoas que necessitam de cuidados. Nesse contexto, especialistas destacam que construir e preservar vínculos afetivos ao longo da vida, além de preparar as finanças e cuidar da saúde, tende a se tornar parte fundamental do planejamento para a velhice.

Com informações: Folha de São Paulo

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