Câncer de estômago avança e preocupa especialistas no Brasil
O câncer de estômago continua sendo um grave problema de saúde pública no Brasil, com mais de 12 mil mortes anuais há duas décadas. Segundo projeções do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o país deverá registrar cerca de 22,5 mil novos casos por ano entre 2026 e 2028, número superior às estimativas anteriores. Em 2024, foram contabilizadas aproximadamente 14,9 mil mortes pela doença. Especialistas alertam que o envelhecimento da população, o aumento da obesidade e, principalmente, a dificuldade de combater a bactéria Helicobacter pylori contribuem para o avanço dos casos.
A bactéria H. pylori, associada a aproximadamente 78% da carga de câncer gástrico no país, é considerada o principal fator de risco para a doença. Sua transmissão está relacionada, entre outros fatores, às condições inadequadas de saneamento e higiene. A infecção pode provocar inflamações crônicas no estômago e alterações celulares que, ao longo dos anos, podem evoluir para tumores malignos. O diagnóstico tardio é outro desafio, já que a doença frequentemente apresenta poucos sintomas nas fases iniciais. Além da infecção bacteriana, o consumo excessivo de sal, alimentos ultraprocessados, bebidas alcoólicas e o tabagismo também aumentam os riscos.
Para reduzir os índices de mortalidade, médicos defendem a ampliação do acesso a exames capazes de identificar precocemente a bactéria e o fortalecimento das estratégias de prevenção. Entre as alternativas está o teste respiratório com carbono 13, método não invasivo que ainda não foi incorporado ao SUS. O tratamento da infecção envolve combinações de antibióticos, mas a crescente resistência bacteriana dificulta sua eficácia. Especialistas também destacam a importância de hábitos alimentares saudáveis, melhores condições sanitárias e acompanhamento médico, especialmente para pessoas com histórico familiar da doença. O Ministério da Saúde anunciou ainda a ampliação da oferta de medicamentos oncológicos na rede pública, incluindo tratamentos destinados a determinados tipos de câncer gástrico.
Com informações: Folha de São Paulo





