Sentimento de nojo pode influenciar opiniões políticas, apontam estudos
O sentimento de nojo, geralmente associado a situações desagradáveis, como alimentos estragados e falta de higiene, também pode estar relacionado à maneira como as pessoas desenvolvem suas convicções políticas. Pesquisas realizadas nas últimas décadas identificaram uma associação entre maior sensibilidade à repulsa e posicionamentos socialmente conservadores. Uma revisão de 24 estudos apontou essa tendência, mas especialistas destacam que a relação é relativamente pequena e não significa que uma emoção determine a preferência política de alguém. Segundo pesquisadores, o nojo pode estar ligado a mecanismos evolutivos de proteção contra doenças, embora sua influência sobre valores sociais e comportamentos eleitorais ainda seja objeto de investigação científica.
Os cientistas classificam o nojo em três categorias principais: patogênico, relacionado a possíveis fontes de contaminação; sexual, associado a determinadas práticas e comportamentos; e moral, provocado por atitudes consideradas erradas, como crueldade e traição. Um estudo de 2020 identificou que pessoas com posições conservadoras relataram maior repulsa diante de determinadas situações envolvendo sexualidade e drogas, enquanto participantes com posições liberais demonstraram maior incômodo com maus-tratos a animais e poluição ambiental. Entretanto, não foram encontradas diferenças claras na frequência geral com que os dois grupos sentiam nojo. Outra pesquisa, realizada com 632 adultos norte-americanos, investigou a relação entre emoções, percepção dos sinais corporais e posicionamentos políticos, encontrando associações específicas, mas sem comprovar uma relação direta de causa e efeito.
Para os especialistas, a principal dúvida é se o nojo influencia as crenças políticas ou se os valores já existentes determinam aquilo que cada pessoa considera repulsivo. Pesquisas também indicam que a interpretação das emoções pode ser influenciada pelo ambiente social e pela linguagem utilizada em discursos políticos. No entanto, os resultados ainda são considerados preliminares e precisam ser confirmados por novos estudos. Os pesquisadores ressaltam que decisões eleitorais envolvem diversos fatores, como experiências pessoais, valores, condições sociais e acesso à informação. Diante da polarização e da circulação de conteúdos provocativos nas redes sociais, a recomendação é desenvolver uma postura crítica também em relação às próprias emoções, evitando que reações imediatas substituam a análise dos fatos e o diálogo entre diferentes opiniões.
Com informações: Folha de São Paulo





