TDAH pode ir além da falta de atenção
Novas pesquisas estão ampliando a compreensão sobre o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e questionando se a falta de atenção é realmente o principal mecanismo por trás da condição. Um estudo publicado na revista científica Cell apontou que medicamentos estimulantes usados no tratamento atuam principalmente em circuitos cerebrais relacionados à recompensa, motivação, saliência e estado de alerta, sem alterações detectáveis nas redes especificamente ligadas à atenção. Os resultados reforçam a hipótese de que dificuldades para manter o engajamento podem ter papel importante nos sintomas associados ao transtorno.
Características como desorganização, impulsividade, esquecimento, dificuldade para cumprir prazos, baixa tolerância à frustração e problemas para iniciar ou concluir tarefas podem estar relacionadas à maneira como o cérebro atribui importância e recompensa às atividades. Nesse contexto, os estimulantes poderiam favorecer a permanência em tarefas rotineiras ou pouco estimulantes ao aumentar sua relevância para o cérebro. Pesquisadores também estudam há décadas fatores como controle dos impulsos, memória de trabalho, percepção do tempo, motivação e regulação emocional para compreender melhor as diferentes manifestações do TDAH.
Apesar das discussões sobre seus mecanismos e critérios diagnósticos, há consenso na psiquiatria de que o TDAH pode provocar prejuízos reais e que existem tratamentos eficazes. Especialistas também destacam a influência do ambiente: uma rotina marcada por múltiplas tarefas, excesso de estímulos digitais e cobranças constantes pode intensificar dificuldades já existentes. As evidências indicam, portanto, que compreender o TDAH exige olhar além de seu próprio nome, considerando a interação entre funcionamento cerebral, autorregulação, motivação e as exigências da vida cotidiana.
Com informações: Folha de São Paulo





