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Corações transplantados podem mudar de idade biológica

Corações transplantados podem alterar sua idade biológica para se aproximar da idade do receptor, aponta um novo estudo conduzido por pesquisadores ligados à Universidade Harvard e ao Brigham and Women’s Hospital, nos Estados Unidos. Os cientistas observaram que corações jovens apresentaram sinais de envelhecimento acelerado quando transplantados para organismos mais velhos, enquanto órgãos de doadores mais velhos mostraram sinais de rejuvenescimento quando recebidos por indivíduos mais jovens. O trabalho foi publicado em setembro no servidor bioRxiv e ainda não passou por revisão por pares.

Os pesquisadores inicialmente realizaram experimentos com camundongos de diferentes idades e avaliaram alterações relacionadas ao envelhecimento por meio de marcadores como a metilação do DNA. Depois, analisaram transplantes cardíacos realizados em humanos, incluindo 11 casos com diferenças expressivas de idade entre doadores e receptores. Os resultados seguiram tendência semelhante: a idade biológica dos corações transplantados ficou mais associada à idade dos receptores do que à idade original dos doadores. Algumas características funcionais, como frequência cardíaca, espessura da parede do coração e capacidade de exercício, também apresentaram associação com a idade do receptor.

A descoberta pode contribuir para futuras discussões sobre a utilização de órgãos provenientes de doadores mais velhos, o que poderia ampliar a disponibilidade para transplantes. Os próprios resultados, entretanto, ainda são preliminares: a pesquisa precisa ser reproduzida em grupos maiores e algumas alterações relacionadas ao envelhecimento podem ser irreversíveis. Por isso, os achados não significam que um coração envelhecido se torne completamente jovem, mas indicam que o ambiente biológico do receptor pode exercer influência significativa sobre características do órgão transplantado.

Com informações: Nature

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