WhatsApp lidera registros de assédio eleitoral no trabalho
O WhatsApp foi o meio digital mais citado em processos envolvendo assédio eleitoral nas relações de trabalho, segundo pesquisa do Tribunal Superior do Trabalho (TST) e do Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT). O aplicativo apareceu em 51 dos 138 processos que integraram a análise qualitativa, enquanto Facebook e Instagram foram mencionados em 20 casos. O levantamento examinou ações judiciais entre maio de 2023 e dezembro de 2025 e identificou 93 ocorrências envolvendo meios digitais.
O estudo divide o assédio eleitoral em modalidades verbal, documental, digital, psicológica, comportamental e econômica, que podem ocorrer simultaneamente. No ambiente digital, a pressão política pode envolver grupos de mensagens, e-mails, videoconferências e redes sociais. Já outras práticas incluem intimidação, participação compulsória em reuniões ou atos e associação da escolha política a ameaças, prejuízos ou concessão de vantagens financeiras. A Justiça do Trabalho mantém regulamentação específica para ações relacionadas ao assédio eleitoral e, em 2026, atualizou as normas sobre o tema.
A dificuldade para comprovar as condutas também ganhou destaque. Das 59 sentenças de primeiro grau examinadas, 18 reconheceram o assédio eleitoral e 41 rejeitaram os pedidos. Entre as decisões desfavoráveis, 31 mencionaram fragilidade das provas. Testemunhos, documentos, mensagens e outros registros digitais, áudios, atas notariais e confissões estão entre os elementos que podem ser considerados nos processos. A pesquisa ainda diferencia situações envolvendo pressão de superiores sobre trabalhadores, entre colegas e aquelas em que a coerção política passa a integrar práticas da própria organização.
Com informações: Folha de São Paulo





