Brasileiros se dizem organizados, mas dívidas revelam outra realidade
A percepção de controle sobre as próprias finanças nem sempre corresponde à realidade do orçamento. Pesquisa da Serasa Experian identificou quatro perfis entre trabalhadores brasileiros e revelou diferenças importantes entre a avaliação que fazem da própria organização e a ocorrência de dívidas. Entre os classificados como “vivem o agora”, a nota média atribuída à organização financeira foi de 7,23, apesar de 66% terem sido negativados nos últimos 12 meses. Já os “apertados” deram nota 5,53 e registraram 55% de negativação, enquanto os grupos “organizando o futuro” e “consolidados” apresentaram notas de 7,45 e 8,45 e índices de negativação de 24% e 6%, respectivamente.
A pesquisa também mostra que renda semelhante não significa necessariamente o mesmo comportamento financeiro. Entre os “apertados”, 43% recebem de dois a quatro salários mínimos, percentual próximo aos 47% registrados entre aqueles que estão “organizando o futuro”. No entanto, somente 12% dos “apertados” chegam ao fim do mês com dinheiro suficiente, contra 47% do outro grupo. O levantamento também chama atenção para a presença feminina entre os trabalhadores financeiramente instáveis: 70% dos integrantes do perfil “apertados” são mulheres. Segundo a análise apresentada pela Serasa Experian, a falta de reserva financeira torna esse público mais vulnerável diante de despesas inesperadas.
A inteligência artificial também ganhou espaço na administração do dinheiro: 60% dos entrevistados afirmaram já ter utilizado alguma ferramenta de IA para cuidar da vida financeira e 74% disseram confiar nas sugestões recebidas. O uso, porém, varia conforme a situação econômica. Pessoas dos grupos “apertados” e “vivem o agora” recorrem principalmente à tecnologia para organizar ou negociar suas finanças, enquanto os “consolidados” e aqueles que estão “organizando o futuro” buscam informações sobre investimentos e formação de patrimônio. A pesquisa ainda destaca o papel do crédito: quando contratado com juros elevados para cobrir despesas do mês, pode ampliar o endividamento, enquanto condições mais favoráveis e planejamento permitem utilizá-lo de maneira mais sustentável.
Com informações: Exame





