Fake news sobre Nossa Senhora Aparecida entra no centro da eleição
Uma onda de desinformação envolvendo Nossa Senhora Aparecida ganhou espaço na reta final da eleição presidencial e repercutiu também na imprensa internacional. Publicações nas redes sociais passaram a associar o candidato Flávio Bolsonaro (PL) a uma suposta iniciativa para retirar da santa o título de Padroeira do Brasil. A informação não corresponde ao histórico legislativo: o projeto citado nas postagens, o PL 2.623/2007, foi apresentado pelo então deputado Victório Galli, de Mato Grosso, e acabou arquivado em 2008. A proposta pretendia substituir a expressão “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. Flávio Bolsonaro negou apoiar iniciativa nesse sentido.
A controvérsia ganhou repercussão internacional e passou a integrar o debate entre as campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro. Reportagens estrangeiras destacaram o peso adquirido pelo tema religioso nos últimos dias da campanha. A discussão ocorre em meio a uma disputa presidencial apertada e provocou reações de candidatos, representantes religiosos e integrantes do Judiciário. O episódio também reacendeu o debate sobre o impacto da desinformação nas eleições e os limites entre propaganda eleitoral, crítica política e liberdade de expressão.
A questão chegou ainda ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Supremo Tribunal Federal (STF). André Mendonça, atuando no TSE, determinou a retirada de publicações que associavam Flávio Bolsonaro à suposta proposta, considerando, em análise preliminar, que o conteúdo não encontrava respaldo nos fatos. Flávio Dino, do STF, posteriormente determinou o restabelecimento de postagens, sob argumentos relacionados à liberdade de expressão e religiosa. Na sequência, Luiz Fux suspendeu os efeitos externos da decisão de Dino, restabelecendo provisoriamente a retirada dos conteúdos enquanto a controvérsia aguarda análise do Supremo.
Com informações: BBC News Brasil





