Exame de sangue pode indicar resposta à imunoterapia no câncer de pulmão
Pesquisadores brasileiros identificaram características no sangue que podem ajudar a prever quais pacientes com câncer de pulmão avançado têm maior chance de responder à imunoterapia. O estudo analisou pessoas com câncer de pulmão de células não pequenas em estágio metastático e encontrou diferenças no sistema imunológico e no metabolismo entre aquelas que se beneficiaram do tratamento e as que apresentaram resistência. A descoberta abre caminho para o desenvolvimento de um exame menos invasivo capaz de auxiliar na escolha da terapia antes mesmo da primeira dose.
Entre os pacientes que responderam melhor, foram encontrados níveis maiores de determinados linfócitos T ativados e de células de defesa envolvidas na resposta contra o tumor. Os pesquisadores também identificaram a importância do metabólito LPC-18:2, relacionado ao metabolismo das gorduras. Com auxílio de inteligência artificial, a combinação dos indicadores alcançou 95% de precisão na identificação dos pacientes que responderam ao tratamento no grupo estudado. O resultado é considerado promissor, mas ainda precisa ser confirmado em populações maiores e independentes antes de ser utilizado na rotina médica.
A pesquisa também encontrou possíveis explicações para a resistência à imunoterapia, observada em uma parcela significativa dos pacientes com câncer de pulmão avançado. Testes em laboratório mostraram que o bloqueio simultâneo de duas vias utilizadas pelo câncer para enfraquecer a resposta imunológica conseguiu reativar células de defesa em determinadas amostras resistentes. Os próximos passos incluem novos estudos e testes clínicos para avaliar se os biomarcadores encontrados no sangue podem efetivamente orientar decisões terapêuticas. A expectativa é avançar para tratamentos cada vez mais personalizados, evitando terapias pouco eficazes e direcionando cada paciente para a estratégia com maior possibilidade de benefício.
Com informações: Folha de São Paulo





