PrEP injetável amplia proteção contra HIV
A versão injetável da profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP), feita com cabotegravir, apresentou maior tempo de cobertura entre usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) acompanhados em um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A pesquisa, publicada na revista científica The Lancet HIV, acompanhou 1.447 pessoas e verificou que participantes que escolheram a modalidade injetável permaneceram protegidos durante 91% do período de acompanhamento. Entre aqueles que optaram pela PrEP oral, o índice foi de 47%, acima dos 35% observados na rotina do sistema público.
A incidência de HIV também foi menor entre os participantes que utilizaram a opção injetável. Considerando o equivalente ao acompanhamento de mil pessoas durante um ano, a pesquisa estimou cerca de duas novas infecções entre usuários do cabotegravir, contra aproximadamente nove entre os que utilizaram a PrEP oral e 15 no cenário habitual do SUS. Os pesquisadores ressaltam, porém, que os resultados não significam que a modalidade injetável seja necessariamente mais eficaz que a oral. A principal diferença observada está na adesão, já que o cabotegravir é aplicado a cada dois meses, enquanto os comprimidos precisam ser tomados diariamente.
O cabotegravir surge, portanto, como uma alternativa para ampliar as opções de prevenção ao HIV, especialmente para pessoas que têm dificuldade em manter o uso diário da medicação. No estudo, 83% dos participantes escolheram a versão injetável e 17% preferiram os comprimidos. O Ministério da Saúde anunciou em julho um acordo para a compra do medicamento, já aprovado pela Anvisa, mas sua incorporação ao SUS ainda está sendo analisada pela Conitec e não há previsão oficial para o início da oferta. Especialistas defendem que as duas modalidades sejam disponibilizadas para que a escolha considere as necessidades e a rotina de cada paciente.
Com informações: Folha de São Paulo





