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Piedmontese: genética explica musculatura impressionante

Originária da região do Piemonte, no norte da Itália, a raça bovina Piedmontese chama atenção pela musculatura extremamente desenvolvida, principalmente nos quartos traseiros. A característica está relacionada a uma mutação natural no gene MSTN, responsável pela produção da miostatina, proteína que atua no controle do crescimento muscular. A alteração genética, conhecida como C313Y, está associada ao fenômeno chamado de “dupla musculatura”, expressão que não significa que o animal tenha o dobro de músculos, mas que apresenta desenvolvimento muscular muito superior ao observado em bovinos convencionais. Originalmente utilizada para trabalho, leite e carne, a raça passou por décadas de seleção genética e atualmente é especializada na produção de carne.

Além da aparência robusta, a genética do Piedmontese pode proporcionar vantagens importantes na produção. Os animais apresentam dorso largo, lombo musculoso, garupa desenvolvida, coxas volumosas, pele fina e estrutura óssea relativamente leve. Segundo a associação italiana responsável pela raça, animais criados em condições adequadas podem superar 70% de rendimento ao abate, embora o resultado varie conforme genética, alimentação e sistema produtivo. Estudos do U.S. Meat Animal Research Center, ligado ao Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), também identificaram elevado aproveitamento comercial e carcaças mais musculosas e magras em descendentes de touros Piedmontese avaliados experimentalmente.

A seleção genética da raça, entretanto, não busca apenas animais cada vez mais musculosos. O desenvolvimento acentuado da musculatura pode estar relacionado a fatores como peso ao nascimento e dificuldade de parto, fazendo com que características como facilidade de nascimento, eficiência alimentar, crescimento, locomoção e docilidade também integrem os programas de melhoramento. Atualmente, a associação italiana da raça reúne mais de 4 mil criadores e mantém um rigoroso sistema de avaliação genética. O Piedmontese tornou-se, assim, um exemplo de como uma mutação natural, associada à seleção criteriosa, pode resultar em características de grande interesse econômico para a pecuária de corte.

Com informações: Compra Rural

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