Enxofre dispara e amplia riscos no campo
A forte valorização do enxofre, matéria-prima fundamental para a fabricação de fertilizantes fosfatados, acendeu um alerta para o agronegócio. Segundo dados do Sindicato Nacional da Indústria de Matérias-Primas para Fertilizantes (Sinprifert), o produto passou de aproximadamente US$ 80 por tonelada em 2024 para cerca de US$ 1,2 mil por tonelada no auge da guerra no Irã, uma disparada próxima de 1.400%. O encarecimento dos insumos, combinado a um cenário de crédito com juros elevados, aumenta a pressão sobre os custos de produção e pode levar agricultores a reduzir a quantidade de fertilizantes aplicada nas lavouras.
De acordo com Ricardo Huffel, especialista em inteligência geoespacial da plataforma DataSafra, uma das principais preocupações é a chamada diluição da adubação, quando o produtor utiliza uma quantidade menor de fertilizante por hectare para conseguir atender toda a área planejada. A prática pode comprometer o potencial produtivo da cultura e, consequentemente, a rentabilidade da safra. O problema também afeta instituições financeiras, tradings e revendas responsáveis pelo financiamento da produção, uma vez que uma eventual queda de produtividade eleva os riscos de inadimplência e descumprimento de contratos.
Para reduzir esses riscos, Huffel defende maior utilização de informações agronômicas na concessão e no acompanhamento do crédito rural. Entre as estratégias estão a análise do histórico agrícola e climático da propriedade para dimensionar corretamente a necessidade de fertilizantes e o monitoramento da semeadura por sensoriamento remoto, permitindo verificar se a área cultivada e a cultura implantada correspondem ao planejamento financiado. Segundo o especialista, diante de fatores externos que pressionam os preços dos insumos, o uso de dados precisos pode ajudar a garantir que os recursos disponíveis sejam direcionados às necessidades reais de cada hectare.
Com informações: Canal Rural





