Cirurgia de catarata avança, mas laser não supera técnica tradicional
A catarata afeta mais de 94 milhões de pessoas e está entre as principais causas de deficiência visual e cegueira no mundo. A condição ocorre quando o cristalino, lente natural do olho, perde progressivamente sua transparência, processo associado principalmente ao envelhecimento. Atualmente, não existe tratamento clínico capaz de reverter o problema: a solução eficaz é a cirurgia, na qual o cristalino opaco é retirado e substituído por uma lente intraocular. No Brasil, o SUS realiza mais de 600 mil procedimentos desse tipo por ano, embora ainda exista uma demanda significativa de pacientes aguardando atendimento.
A técnica convencional mais utilizada é a facoemulsificação, que emprega ultrassom para fragmentar e remover o cristalino. Nos últimos anos, ganhou espaço a cirurgia assistida por laser de femtossegundo, conhecida como FLACS, capaz de automatizar com alta precisão algumas etapas do procedimento. Apesar do avanço tecnológico, estudos científicos apontam que seus benefícios são modestos para a maioria dos pacientes. Uma metanálise de 2025, envolvendo 8.871 olhos operados, identificou pequena melhora da visão na primeira semana, mas a diferença desapareceu após cerca de um mês. Complicações, resultados visuais de longo prazo e qualidade de vida também foram semelhantes entre as técnicas, embora o laser possa apresentar vantagens em casos específicos e mais complexos.
Entre os avanços que mais impactaram os resultados das cirurgias estão as lentes intraoculares de alto desempenho, que podem reduzir a dependência dos óculos após o procedimento. As lentes trifocais oferecem boa visão de longe, intermediária e de perto, mas podem provocar mais halos e brilhos, principalmente à noite. Já as lentes de foco estendido, chamadas EDOF, tendem a causar menos fenômenos ópticos e apresentam bom desempenho na visão intermediária, embora alguns pacientes ainda necessitem de óculos para perto. A escolha deve ser individualizada e discutida com o oftalmologista, considerando hábitos, profissão e expectativas. Apesar dos avanços, as chamadas lentes premium permanecem fora do SUS e da cobertura da maioria dos planos de saúde, tornando o acesso ainda limitado pelo custo.
Com informações: Folha de São Paulo





