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Cirurgia experimental para Alzheimer divide cientistas

Uma cirurgia experimental desenvolvida na China para pacientes com Alzheimer tem despertado interesse internacional após relatos de melhoras significativas, mas ainda enfrenta forte ceticismo da comunidade científica. Conhecido como anastomose linfático-venosa cervical profunda (dcLVA), o procedimento conecta pequenos vasos linfáticos do pescoço a veias próximas, buscando facilitar a drenagem de fluidos e proteínas residuais provenientes do cérebro. A técnica ganhou repercussão após imagens mostrarem a evolução de um paciente idoso submetido à operação em 2020, que apresentou melhora na comunicação, mobilidade e interação nos meses seguintes. Desde então, milhares de pessoas teriam procurado o tratamento, principalmente na China.

A hipótese por trás da cirurgia é que melhorar a drenagem linfática poderia favorecer a eliminação de substâncias associadas à doença, como as proteínas beta-amiloide e tau. Pequenos estudos realizados principalmente na China apontaram redução desses marcadores e algumas melhoras em testes cognitivos e funcionais. Entretanto, as pesquisas disponíveis ainda apresentam limitações importantes, como número reduzido de participantes, ausência de grupos de comparação em diversos trabalhos e incertezas sobre a duração dos possíveis benefícios. Especialistas também questionam como uma intervenção desse tipo poderia provocar mudanças tão rápidas e alertam para riscos cirúrgicos, incluindo infecções, sangramentos e lesões nervosas.

Diante da rápida popularização do procedimento sem evidências conclusivas, autoridades chinesas restringiram sua realização a pesquisas clínicas aprovadas por comitês de ética. Agora, estudos controlados estão sendo conduzidos na China e em outros países para avaliar com maior rigor sua segurança e eficácia, inclusive com grupos submetidos a cirurgia simulada para controlar o efeito placebo. Embora alguns pesquisadores considerem biologicamente plausível a relação entre drenagem cerebral e doenças neurodegenerativas, a dcLVA permanece experimental e ainda não há comprovação científica suficiente de que seja capaz de modificar o curso do Alzheimer. Os resultados dos novos ensaios deverão ajudar a esclarecer se as recuperações observadas representam um efeito real e duradouro do tratamento.

Com informações: Nature

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