Estudo liga COVID grave à reativação de vírus adormecidos
Um estudo publicado na revista científica Nature identificou que casos graves de COVID-19 podem desencadear a reativação de vírus que permanecem adormecidos no organismo. A pesquisa acompanhou mais de mil pacientes hospitalizados e constatou que quase metade apresentou o despertar de patógenos como o vírus Epstein-Barr, citomegalovírus, herpes simples e anelovírus. Segundo os pesquisadores, esse fenômeno esteve associado aos quadros mais severos da doença e ao desenvolvimento da chamada COVID longa.
Os cientistas observaram que a reativação ocorre em momentos diferentes da infecção pelo coronavírus. Enquanto o vírus Epstein-Barr e os anelovírus costumam reaparecer logo no início da internação, citomegalovírus e herpes simples tendem a ser detectados semanas depois, principalmente nas vias respiratórias. O estudo também revelou que esse processo pode acontecer até mesmo em pessoas com o sistema imunológico considerado saudável, indicando que o estresse provocado pela infecção pode ser suficiente para favorecer o despertar desses vírus latentes.
Embora a pesquisa ainda não comprove que os vírus reativados sejam responsáveis pelos sintomas persistentes da COVID longa, os resultados reforçam a hipótese de que eles podem contribuir para a inflamação e agravar o quadro clínico. A descoberta abre caminho para novos estudos e para o desenvolvimento de tratamentos que, além de combater o SARS-CoV-2, também utilizem antivirais específicos contra esses vírus, na tentativa de reduzir complicações e melhorar a recuperação dos pacientes.
Com informações: Nature





