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Mães enfrentam barreiras na ciência brasileira

Mesmo formando mais doutoras do que doutores há mais de duas décadas, as mulheres ainda enfrentam dificuldades para avançar na carreira acadêmica no Brasil, especialmente após a maternidade. Pesquisas apontam que mães cientistas têm mais chances de perder espaço em programas de pós-graduação por queda na produtividade e encontram maiores obstáculos para retornar ao sistema acadêmico. O fenômeno, conhecido como “efeito tesoura”, evidencia a redução gradual da presença feminina nos cargos de maior reconhecimento científico.

O debate sobre maternidade e ciência ganhou força nos últimos anos com iniciativas como o movimento Parents in Science, criado pela pesquisadora Fernanda Staniscuaski, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Estudos do grupo mostram que mães são descredenciadas de programas de pós-graduação em proporção maior do que os pais e enfrentam mais dificuldades para se reinserir na carreira. Além da desigualdade de gênero, pesquisadoras negras, indígenas e mães de filhos com deficiência aparecem entre os grupos mais afetados.

Diante desse cenário, universidades e instituições públicas têm criado ações para ampliar a permanência das mães na ciência. Entre as medidas estão bolsas específicas, ampliação de prazos acadêmicos, criação de cuidotecas e editais exclusivos para mães pesquisadoras. A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior lançou recentemente o programa Aurora, que prevê bolsas para apoio às pesquisadoras durante a maternidade. Especialistas defendem que ampliar a diversidade na ciência fortalece a produção acadêmica e contribui para pesquisas mais representativas e conectadas à realidade social.

Com informações: Agência Brasil

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