Traumas esportivos têm efeitos duradouros no cérebro
Um estudo recente publicado na revista Science Translational Medicine trouxe novos alertas sobre os impactos de traumas repetitivos na cabeça ao longo da vida. A pesquisa identificou que a barreira hematoencefálica — responsável por proteger o cérebro — pode permanecer danificada por décadas após a aposentadoria de atletas de esportes de contato. Essa alteração aumenta a permeabilidade cerebral e está associada a processos inflamatórios que contribuem para o declínio cognitivo.
Os pesquisadores analisaram 47 ex-atletas de modalidades como rúgbi e boxe, comparando-os com um grupo de controle. Mesmo após cerca de 12 anos longe das competições, os exames mostraram maior comprometimento da barreira cerebral nos atletas, especialmente naqueles com histórico de impactos repetitivos. Os participantes com maior nível de dano apresentaram pior desempenho em testes de memória e funções cognitivas, reforçando a ligação entre traumatismo craniano e doenças neurodegenerativas, como a encefalopatia traumática crônica (ETC).
Outro achado relevante foi a dificuldade de identificar esses danos por exames tradicionais de sangue. Segundo o estudo, os sinais mais claros surgem por meio da resposta imunológica, com aumento de marcadores inflamatórios em indivíduos afetados. Os pesquisadores destacam que, apesar dos riscos associados à exposição prolongada a impactos na cabeça, a prática esportiva segue sendo benéfica para a saúde, desde que realizada com segurança e acompanhamento adequado.
Com informações: Nature





